terça-feira, 9 de outubro de 2018

Contradições e incoerências: um retrato do primeiro debate

O primeiro debate das Eleições 2018 foi realizado nesta terça-feira, 09. Os candidatos dos seis partidos dispuseram de tempo e atenção da plateia para responder a perguntas e esclarecer algumas questões.

Porém, viu-se, como já se vira na convenção, um show de palavras vazias e propostas cujos meios de realização passaram longe de serem mencionados.

No primeiro bloco, o público teve direito a perguntas diretas aos candidatos, tendo sido estas sorteadas pelo representante da Comissão, Mikael. Muitas perguntas bateram nas mesmas teclas diversas vezes batidas, como o aborto, e acabaram fazendo com que não recebessem respostas muito inovadoras. Compreensível.

Depois, no segundo, aconteceu o momento quiçá mais esperado: o verdadeiro confronto — só de ideias, diga-se — entre os candidatos. Foram muitas as falas, porém, que não diziam nada ou, quando diziam, eram contraditórias ou eram simplesmente mentiras, como a do candidato Matheus (União) que afirmou que "o povo brasileiro escolheu por não ter armas em um plebiscito de 2002".

Em relação às falas que não diziam nada, tem-se a de Igor (FNB) ao citar o conservadorismo. Sem saber do que se trata a filosofia política e já contando com o desinteresse geral pelo tema, simplesmente afirmou que somos um país muito conservador — como se isso fosse péssimo. Depois, quase que num mea culpa, afirmou ser católico.

Além dele, Cristian (PHP) voltou às questões de legalização da maconha e do controle de fronteiras. Deve-se ter em conta que o tempo foi escasso para explanações maiores, mas o como fazer não foi tocado ou, quando isso aconteceu, foi de modo incompleto.

Ademais, aos momentos de contradições, faltam-me adjetivos. O leitor poderia perguntar-me por quê. Pois bem. Aí vão três exemplos: Felipe (PDL), dizendo-se liberal, defendeu uma intervenção militar; Carlos (PDB), contrário a imposição das ideologias dos professores sobre os alunos, propõe a militarização das escolas públicas; last but not least, Gustavo (PLDB), defendendo o liberalismo, posicionou-se contrário à PEC do teto dos gastos públicos e afirmou que o governo criaria empregos — esta última contradição merece explicação à parte, que será feita num artigo posterior neste Liberty.

Quando a imprensa teve direito a perguntas, já no terceiro bloco, o padrão manteve-se. Minha pergunta a Carlos, acerca do apontado acima em relação a ele, não foi respondida de modo satisfatório. Por outro lado, reconheço que incorri em erro ao insistir na questão do aborto com Gustavo, cuja resposta não se alterou.

Destarte, temos este panorama: nenhum dos partidos passou ileso desse primeiro debate. Se não por um, mas por outro motivo. Assim, esperamos que as críticas aqui feitas sirvam de matéria-prima para reflexão dos candidatos. Deixo, também, espaço aberto a respostas ao artigo, inclusive por meio de cartas do leitor. Distinti saluti.



4 comentários:

  1. Muito bom, percebi as mesmas coisas que estão nesta notícia no dia do debate, mudando um pouco de assunto, eu gostaria de saber quais seriam seus planos quanto as entrevistas ( tanto com os candidatos quanto com os eleitores ), qual seria o propósito dela e se vocês vão publicar elas através de texto ou vídeo, por enquanto seria só isso, parabéns ao jornal!

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  2. Parabéns ao jornal e pelas críticas construtivas. Poderia ter um pouco mais de envolvimento com os eleitores, mas de resto estão de parabéns!!

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  3. Esse debate foi muito importante para conhecer melhor os candidatos, mas infelizmente o tempo nos prejudica.
    Adorei o posicionamento do jornal e espero que todas as críticas sejam absorvidas para fazer uma eleição com candidatos cada vez mais preparados.

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  4. Parabéns ao jornal pelas críticas, achei que os candidatos não estavam preparados para os assuntos debatidos, espero que no próximo debate estejam preparados e reflitam sobre as mesmas.

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